LCD SOUNDSYSTEM: É AMANHÃ!

Com esse frenesi todo com o fim do LCD Soundsystem, o show de amanhã aqui no Rio vira obrigatório: vamos ver chegar ao fim com dignidade (episódio raro) a banda (possivelmente) mais relevante da década passada.

Escrevi sobre o último álbum do grupo de James Murphy para a Billboard à época do lançamento, ano passado. Vou reproduzir aqui o texto na íntegra. ‘This is Happening’ foi um dos 2 melhores discos de 2010, mais um motivo que faz desse show um evento imperdível.

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BILLBOARD – MAIO 2010

LCD SOUNDSYSTEM – THIS IS HAPPENING

Deve ser bastante perigoso estar na pele de James Murphy, a figura mais hypada desta primeira metade do ano. Para um músico e dono de gravadora, ser elogiado sem muito critério por tudo que se faz pode ser o caminho inevitável para a estagnação.

Mas Murphy se move na direção certa sempre e foi assim que conquistou o posto de personagem mais importante da música pop desta década – cria do Brooklyn, injetou disco no punk, fez o rock ser divertido novamente e trouxe à tona muita gente bacana via DFA Records.

Com todas essas credenciais, era natural que ‘This is Happening’ fizesse o barulho que fez mesmo antes do lançamento. Disse o músico no fim do ano passado: ‘Se desse tempo de sair (em 2009), esse seria o melhor disco da década’.

‘Happening’ é mais uma mostra da criatividade da banda e também o desfecho perfeito para o ciclo começado com ‘LCD Soundsystem’, lançado lá em 2005 – ‘Sound of Silver’, de 2007, é o recheio.

As músicas aqui são longas, sem concessões, e fazem uma mistura azeitada de guitarra e sintetizador. ‘Dance Yrself Clean’ é uma porrada tão bem dada, mas tão bem dada que a coloca de longe como a melhor do CD – e na briga pela medalha de melhor da banda ao lado de ‘All my friends’.

Existem, porém, duas pisadas de bola feias: ‘Drunk Girls’ e ‘Somebody’s Calling Me’. A primeira é uma bobagem adolescente que, cantada por um marmanjo de 40 anos, só piora. A segunda é arrastada, apagada.

Diz Murphy que este vai ser o último álbum do grupo. Se essa história se confirmar, tudo bem, tudo bem, foi bom enquanto durou. Mas, James, não demore muito a se mexer novamente, ok?

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ELLEN ALLIEN ATERRISSA NA MOO, EM NOVEMBRO

Aproveitando a passagem pelo Brasil – no Deputamadre (BH, dia 13/11), na rave XXXPerience, dia 14/11, e no reformado D-Edge, dia 17/11 -, Ellen Allien também aterrissa no Rio de Janeiro antes disso tudo, na festa Moo, no dia 6 de novembro. Dizem a agenda da moça no MySpace e o Hype Machine.

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A DJéia é uma das principais forças do techno mundial, emprestando à mafia alemã o estilo mais gracioso e charmoso da trupe. Apesar de seu disco mais recente, “Sool”, ser fraco em comparação aos anteriores e ao mix album que fez para o Fabric (vol.34), o recente podcast feito para o Resident Advisor mostra que a moça continua em forma.

Ellen é dona do essencial selo BPitch Control e, como ela consegue tempo?, ainda comanda uma grife de roupas. Ellen é top.

BLOC PARTY ESTABELECE ROMANCE COM PLATÉIA CARIOCA

O show do Bloc Party no Rio caminhava para um desfecho como o do paulistano: legal, mas meio morno, com um ou outro momento de muita empolgação.

Porém, o que se viu do meio pro fim foi um caso de amor do vocalista Kele Okereke com a platéia do Circo Voador. Como que precedendo o fim, a galera começou uma gritaria, um pula-pula que fazia o vocalista abrir sorrisos e mais sorrisos.

Provoca daqui, atiça dali, a banda voltou para dois bis, pessoas subiram no palco, o integrantes ganharam presentes e abraçaram os fãs. No ápice do romance, Kele tirou os fones do retorno, arrumou um microfone com fio MUITO grande e, sim!, pulou na galera para fazer crowd surfing. Aliás, fez dois crowd surfing, para desespero da segurança e dos roadies, que tinham que ficar ‘dando linha’ no microfone enquanto o cantor surfava nas mãos da galera. Mesmo sendo jogado de uma lado para o outro, Kele segurou firme ‘She’s hearing voices’ pelas rédeas.

O show teve cerca de uma hora e quarenta minutos e todos os hits da banda estavam no setlist. Os momentos de maior empolgação foram em ‘Banquet’, claro, e, para minha surpresa, ‘Like eating glass’, que nunca foi hit do grupo, mas foi cantada como se fosse.  Mais um show memorável no Circo Voador.

Bloc Party – ‘Like eating glass’ (10/11/2008 – Circo Voador – RJ)