VOGUE RG – MAIO 2010

Vou reproduzir aqui minha matéria na Vogue RG desse mês, que está nas bancas. É sobre a nova onda de videoclipes superproduzidos. Check it out!

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LADY GAGA RENOVA A ONDA DE VIDEOCLIPES SUPERPRODUZIDOS

Cantora se junta a nomes da moda para garantir entrada no clube seleto

Lady Gaga é o nome onipresente da música pop hoje. Beirando a overexposição, Stefani Joanne Angelina Germanotta, aposta forte na postura ‘causação’ e debocha de todo o circo pop com figurinos exagerados e excessivos, sua marca registrada nos palcos e tapetes vermelhos mundo afora.

Dona de um estilo dance-pop-eletrônico, é ela mesma quem compõe suas músicas e concebe suas performances. Aos 24 anos, tem cinco megahits no currículo: ‘Just Dance’, ‘Poker Face’, ‘Paparazzi’, ‘Bad Romance’ e ‘Telephone’. E, por ser mulher, loira, cantora e polêmica, já é considerada a principal herdeira do trono de Madonna – não que Madge esteja pensando em larger o osso, mas…

E Gaga está apostando alto na passagem do cetro. A principal frente de ataque da novata está rolando no campo dos videoclipes, todos superproduções hypadíssimas. Para seu próximo single, ela contratou o estreladíssimo Steven Klein, o top fotógrafo de moda, preferido de… Adivinha? Isso mesmo, Madonna.

Klein tem trabalhos publicados nas revistas de moda e comportamente mais importantes do mundo. Conte comigo, não se perca: ‘Dazed and Confused’, ‘GQ’, ‘i-D’, ‘The Face’, ‘Vogue’ França e Itália, ‘Details’ e ‘W’, entre muitas outras. Ocupando pela primeira vez a cadeira de diretor de videoclipes, vai comandar o set de ‘Alejandro’, próxima música de trabalho de Gaga.

Esta é uma das parcerias mais comentadas do momento e também a maior incógnita – Steven vai também mergulhar nas cores e exageros de Lady Gaga como fez algumas vezes com Madonna, ou vai encarar o dificílimo desafio de “neutralizá-la”, como em seus ensaios em preto-e-branco? Seja qual for o caminho, o fato é que estaremos diante de mais uma produtiva parceria deste já frutífero casamento entre moda e videoclipes.

“Música e moda sempre andaram juntos, o punk é o maior exemplo disso. Então vejo como um movimento natural essa onda de superproduções juntando os dois mundos”, diz o diretor carioca Leandro Corinto, que aponta David LaChapelle como o nome mais significativo deste meio. “Ele meio que criou um filão, tem uma estética bem própria, com muito cenário, muita montação”, afirma.

O caso de amor do fotógrafo holandês Anton Corbijn com o Depeche Mode virou marca registrada da banda inglesa: clima soturno, meio deprê. E provavelmente o clipe mais emblemático dessa área seja o de “Being Boring”, do Pet Shop Boys, dirigido pelo cultuado Bruce Weber – tudo muito chique, muito sexy, muito elegante.

Jonas Akerlund, que dirigiu ‘Telephone’, da Lady Gaga com a Beyoncé, é um nome importante também”, ressalta Corinto. Ele é polêmico, já fez filmes para Dior e teve obras proibidas, como “Smack My Bitch Up”, de quando a gente ainda se importava com o Prodigy.

Este cruzamento nos leva diretamente a lembrar das parcerias do povo do cinema com o da música. Depois de Michael Jackson trazer as superproduções para os clipes com “Thriller”, e Martin Scorsese aperfeiçoar a técnica com “Bad”, surgiram alguns nomes que fizeram o caminho inverso ao do diretor ítalo-americano.

Spike Jonze é o nome mais proeminente da turma que começou nos clipes e migrou com sucesso para o cinema. Dirigiu Sonic Youth (“100%”), Björk (“It’s Oh So Quiet”) e Chemical Brothers (“Elektrobank”) e em seguida passou a ser elogiado por produções com atores de peso em Hollywood – mais notadamente “Onde Vivem Os Monstros” e “Quero Ser John Malkovich”.