TÁ LIGADO NO GRAVÃO?

O gravão do dubstep? Não? Então beleza. Vai nesse timeline muito decente que o NME fez pra situar os perdidos no subgênero mais relevante do underground em muito tempo (faltou ‘Night’, do Benga, mas tá valendo).

Se tá esperando climão praia-cool-descolado, desiste. A onda aqui tá mais pro sombrio, cheio de vocal picotado, batida lenta e grave monstro.

Tem quem goste, tem quem despreze, tem quem acha chato. Vou colocar um vídeo do Burial pra ilustrar a bagaça porque foi a coisa mais redonda produzida pelo estilo nesses mais ou menos dez (oito? seis?) anos de existência.

TRIO TERNURA

O Resident Advisor, pela primeira vez, abriu sua eleição de melhor DJ do mundo para o público. Esqueça aquela farofada armada da eleição da DJ Mag. O site australiano é referência segura quando o assunto é dance music.

 

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Como era de se esperar, Villalobos, Hawtin e Luciano encabeçaram a lista, ocupando primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente. Quem chega cheio de moral são os romenos Rhadoo, Raresh e Inspirescu, os nomes da vez do techno.

 

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Tem também a nova geração da house que importa (Dixon, Prosumer), alguns nomes clássicos certeiros (Garnier, François K, Vath), alguns do electro (Boys Noize)  e outros do dubstep (Appleblim, Skream). É um who’s who da mais alta categoria da eletrônica hoje.

 

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Todos os DJs têm página especial e já fizeram podcast exclusivo para o site. Procure no seu torrent preferido.

BIG BASS STYLE

O misterioso e festejado Shackleton desnorteou meio mundo essa semana ao encerrar as atividades de seu – igualmente festejado – selo Skull Disco, um pilar de sustentação e inovação do dubstep. Nem fãs, nem pessoas ligadas à cena dubstep e nem a imprensa entenderam nada.

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Shackleton é das pessoas mais instigantes e interessantes da cena pop atual. É o mais sinistro dessa galera dubstep junto com o Burial. Só que mais sombrio ainda, com menos melodia e mais percussivo. Ele tem duas coletâneas na manga (para escoar as produções da Skull Disco) e também cultua a aura de mistério – não tanto como o Burial.

O que vale mesmo é perceber no inglês uma inquietação constante, um desapego saudável a regras e nenhuma etiqueta com dogmas de nenhum estilo em particular. O lance dele é experimentar sons e sensibilidades. Tudo muito bem amparado por muito, muito grave.

O grande “hit” de sua carreira é ‘Blood on my hands’, com vocal de monstro e letra apocalíptica. Ricardo Villalobos remixou ano passado, e foi aí que o malandro apareceu. Aliás, um vem remixando música do outro, fazendo uma ponte impensável do dubstep com o techno. Aplausos. E o som é aquilo, devagarzão, batida esparsa e um bass que pelo amor de deus.