PARA ENTENDER O DAVID BOWIE VISIONÁRIO

Para tentar aplacar um pouco os ecos desse 11 de setembro da música pop, vamos celebrar a obra de Bowie!

‘O Homem que Vendeu o Mundo’ disseca o trabalho do cantor entre 1969 e 1980 – esmiúça cada música de cada disco lançado nessa era de ouro da carreira do artista.

Além do trabalho árduo de análise e coleta de dados e curiosidades, há também uma contextualização que dá liga ao livro. O autor faz um excelente panorama do cenário social e cultural da época e dos anos em que os álbuns foram lançados.

É longo, detalhado e um deleite para quem quer se aprofundar e entender o Bowie visionário.

Zoeira

NINA AO VIVO

Esta é a primeira versão ao vivo de ‘Wild is the wind’ na voz da Nina Simone que encontro – cinco minutos e cacetada da mais pura beleza gravada em NY em 1959.

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As versões mais conhecidas são a de (insuficientes) três minutos e pouco, muito comum em coletâneas caça-níqueis, e a de quase oito minutos, mais rara, essa a que me acompanha desde que a ouvi pela primeira vez, há uns 15 anos. Uma outra versão de ‘Wild is the Wind’ que importa é a de David Bowie, completamente diferente da de Nina, que encerra o ‘Station to Station’, possivelmente seu melhor álbum.

O melhor disso tudo, além da surpresa óbvia de esbarrar com uma versão inédita (pelo menos pra mim) de uma música tão espetacular assim, é poder reparar os detalhes novos: a gravação levemente ruim, a crueza da voz, o barulho dos dedos ‘arranhando’ as cordas, a respiração diferente e os improvisos – sem muita firula – no piano. Boa semana pra vc tb. =D

SAIU O REMIX DO JAMES MURPHY PARA MÚSICA DO BOWIE

James Murphy pegou ‘Love is Lost’, do disco mais recente do Bowie, e transformou numa viagem de 10 minutos, com homenagem ao compositor americano Steve Reich e sua ‘Clapping Music’.

Murphy disse que a ideia para o remix surgiu durante as gravações de ‘Reflektor’, álbum novo do Arcade Fire, produzido pelo nova-iorquino e que tem Bowie de convidado especial.

Teclados com melodias lindas, bpm baixo, a voz de Bowie e um sample láaaaaa no meio de ‘Ashes to Ashes’ fazem deste um dos remixes mais ESPETACULARES de 2013.  Que a dobradinha se repita muitas vezes ainda, amém.

Clica na foto para ouvir.

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NINA SIMONE – WILD IS THE WIND

Das infinitas versões para ‘Strange Fruit’, a de Billie Holiday é sem dúvida a mais festejada. Mas é a interpretação de Nina Simone que dá à música o impacto e o feeling de que ela necessita.

Nina empresta sua voz grandiosa para uma música forte e canta uma letra tão dura que chega a ser cruel, vai te tirando a respiração aos poucos. Não é qualquer um que consegue juntar tanta beleza e tristeza de forma tão tocante.

‘Wild is the Wind’ é outra música que tem na interpretação  de Nina Simone sua versão definitiva. Bowie já tentou, Bat for Lashes e Johnny Mathis também. Mas é Mrs. Simone que canta de maneira impecável, lenta, vagarosa, apunhalando o coração aos poucos. Coisa linda.