BJÖRK NO FREE JAZZ FESTIVAL DE 96 – SHOW COMPLETO

E eis que uma preciosidade surge no YouTube – o show da Björk no Rio no Free Jazz Festival de 96. O som está muito bom, mas a imagem está longe de uma qualidade boa. Muitas memórias e lembranças boas surgem ao rever o que talvez tenha sido o show mais importante da minha vida, simbolicamente falando.

Björk estava surfando no sucesso de ‘Post’, seu segundo álbum, lançado em 95. Era dos discos que eu mais ouvia naqueles tempos de segundo grau.

Aos 17 anos de idade, eu não tinha dinheiro, nem carro, nem sabia onde ficava o MAM (era a primeira edição do festival no lugar e no formato em que se consagrou). Juntei os caraminguás da merenda escolar de um mês inteiro para conseguir comprar o ingresso para o show, sempre junto com a comparsa Karla Pê, minha companheira de sons e shows alternativos durante a adolescência. Formávamos então uma bela duplinha de freaks. =D

Hoje vejo que ir a essa apresentação foi um ritual de passagem, uma espécie de marco zero: eu estava exatamente onde queria, vendo o que queria, com quem queria. Pela primeira vez completamente independente e dono do meu nariz, marcando meu território.

Era muita novidade boa ao mesmo tempo – esse show marcou a entrada definitiva de um moleque grunge no mundo eletrônico. A apresentação teve a abertura do 808 State, e Björk mandou um hit atrás do outro: ‘Army of me’, ‘Isobel’, ‘Human Behaviour’, ‘It’s oh so quiet’, ‘Venus as a boy’, entre outros. A repercussão foi a melhor possível entre público e imprensa e marcou o início da história de amor da cantora com o país. Ela ainda retornaria ao Brasil muitas outras vezes.

E ESSE ÁLBUM NOVO MUITO MAIS OU MENOS DA BJÖRK, HEIN?

Björk fez a Beyoncé e lançou ontem ‘Vulnicura’, seu álbum novo, na correria, sem muitos avisos prévios e pegou todo mundo desprevenido. Segundo a própria, é seu disco mais autoral e pessoal, praticamente autobiográfico. Faz uma ponte de extremos com o anterior, ‘Biophilia’, um trabalho sobre ‘o Universo’. Todo esse peito aberto (reparem na capa) é para escancarar as mágoas da separação recente da cantora – ela e o artista plástico Matthew Barney não são mais um casal.

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Fica claro nas nove músicas a obsessão recente da islandesa por violinos. Aprender a tocar o instrumento serviu de válvula de escape e apoio durante o processo de separação. O álbum todo é caprichado nos arranjos de cordas – e as camadas e mais camadas e mais camadas de synths ajudam a incrementar esse ponto. Tudo isso fazendo a cama para a voz, letras e interpretações marcantes já características da cantora.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… ‘Vulnicura’ não decola. Falta um pedaço ali e acho que são as melodias. Björk aqui perdeu a mão para fazer aquelas melodias maravilhosas que sempre foram, junto com as ‘modernices’, o ponto alto de suas obras. Nenhuma música é memorável, tudo passa batido.

Senti muita falta da mão dos produtores Arca e Haxan Cloak, dois nomes da novíssima (novíssima mesmo) geração de produtores de música eletrônica. Os dois são conhecidos por seus trabalhos cheio de batidas quebradas, muito uso de grave e timbres fora do comum, tudo bem torto. Mas nada disso é perceptível no disco – talvez ‘Quicksand’ seja a única que se aproxime disso, mas mesmo assim é insuficiente. Deduzo que Björk, por estar no ramo pelo menos duas décadas a mais que os dois – tenha ‘engolido’ a dupla dentro do estúdio. Uma pena.

‘Vulnicura’ acaba valendo por mostrar uma faceta mais pessoal de uma artista sempre inquieta. E só.

BON IVER TOCA BJÖRK: TUDO A VER

Depois das texturas levemente eletrônicas do segundo álbum, tem tudo a ver o Bon Iver incluir ‘Who is t?’, da Björk, nos shows. Sem falar que a original tem a carga emocional semelhante às composições do Bon Iver.

‘Who is it?’ está no álbum ‘Medúlla’, aquele quase todo feito de arranjos vocais, lançado em 2004.

É impressão minha ou o negão ali da direita está fazendo um beatbox ANIMAL?

DE RICHARD STRAUSS A VELVET UNDERGROUND

De Duke Ellington a Björk.

‘O Resto É Ruído’ é um mergulho fabuloso na música do século XX, com precisão na contextualização histórica, política e social.

O ponto de partida é a música clássica (Alex Ross é o crítico de música clássica da New Yorker. O nível é alto), e segue para o jazz, o rock, as experimentações eletrônicas. O leque vai de 1890 e tantos até hoje – I mean, 2007.

É livro pra sorver devagar, salivando com cada informação e deixá-lo descansar prazeirosamente na cabeceira por muuuuuuuuito tempo.