QUEM É QUEM NO DEKMANTEL SÃO PAULO

Vai aí embaixo o texto que fiz pra galera do Pulso sobre a primeira edição do Dekmantel no Brasil, que rola em São Paulo nos dias 4 e 5 de fevereiro. Cai dentro!

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A melhor notícia de 2016 foi que em 2017 teríamos a primeira edição do Dekmantel Festival no Brasil.

O evento-mãe, que rola em Amsterdam e chegou à sua quarta edição em 2016, já é considerado um dos mais conceituados festivais de música eletrônica do mundo porque vem conseguindo aliar um line-up variado e respeitadíssimo, local impecável (um parque com muito verde nos arredores de Amsterdam), clima intimista (lotação total: não ultrapassa 10 mil pessoas) e conforto para o público (sem filas nos bares! Banheiros limpos e sem perrengue!). Fiz um review pro Pulso, confere lá.

Portanto, é com muita ansiedade e expectativa que espero a chegada do Dekmantel ao Brasil. Tá com cara de que vai ser fodão. Abaixo vai um guia do que é imperdível no line-up entre as atrações gringas. Semana que vem rola um pente-fino nos nomes brasileiros.

Vem comigo! =D

Nicolas Jaar – É a principal atração da edição brasileira. Vai apresentar no festival seu live novo, baseado em ‘Sirens’, seu EX CE LEN TE álbum lançado no ano passado.

nicolasjaar

Lena Willikens – Fez o melhor set (pra mim) da edição do Dekmantel em Amsterdam: estranho, percussivo, um pé no techno, outro no electro, com ares vintage. E sem perder a pista de vista, com domínio técnico impressionante. Estou sedento por tudo isso de novo. Não perco por nada.

lena_willikens

Moodymann – Outro gigante dessa edição. Dono de clássicos da house e do techno, traz toda a história de Detroit nos ombros. Tem cara de que vai promover um bailão black com muito funk, disco e house. E, como de costume (tomara!), vodka para a galera da primeira fila. O problema é o seguinte: o horário dele bate com o da Lena Willikens. Infelizmente é isso: mesmo horário. Fudeu, não sei o que fazer.

moodymann-dekmantel-by-bart-heemskerk

John Talabot – Se fizer um set melódico, cheio de texturas e samples vocais como os das duas produções em estúdio, pode ser o grande nome do evento.

talabot

Jeff Mills – Nome fundamental do techno, inovou onde foi possível e influenciou meio mundo. Respeito muito. Quem nunca viu, vale ver. Mas confesso que, apesar de toda sua importância, os sets de Mills são praticamente os mesmos há tempos: techno de 134 bpm com ‘The Bells’ salpicada ali no meio, tudo acelerado e flat, sem grandes variações.

Ben UFO vs Joy Orbison – A dupla vai repetir a dobradinha que vem fazendo há algum tempo. O back-to-back deles na edição de Amsterdam foi um dos melhores do festival.

Nina Kraviz – Diva polêmica, vem trazendo na bagagem um set de techno pesadinho (se repetir a performance que fez no Dekmantel Amsterdam em agosto passado) e muitos elogios ao volume 91 da série Fabric, mixado por ela e que entrou em quase todas as listas de melhores de 2016.

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Ben Klock – Dos nomes mais populares desta edição, vai encerrar o Main Stage no sábado à noite. É lenha!

Kornél Kovács – Um dos destaques da música eletrônica em 2016 com o disco ‘The Bells’. Nunca vi fazendo DJ set, mas levo fé.

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Hunee – Faz parte da gangue holandesa do evento (o Dekmantel foi concebido e criado por um grupo de amigos holandeses e sempre traz em seus line-ups uma quantidade considerável de nomes da cena holandesa) e tem um álbum muito, muito, muito bom no currículo lançado pela Rush Hour: ‘Hunch Music’.

hunee

Makam – Da trupe holandesa, talvez seja o que mais me agrada. Tem um pé (mas não muito) na estranheza que me agrada muito. Olha que maravilha é ‘What ya doin’’. Ou ‘Girls Night’

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Palms Trax – Também da trupe holandesa, sempre recheia seus sets com bastante groove, deixando o clima sempre animado, pra cima.

Tom Trago – Nome importante da cena em Amsterdam, sempre arrasta muita gente em seus sets. Pode ir da disco ao techno, por exemplo. É um nome que vale ficar atento.

Helena Hauff – Injetou sangue novo na cena techno em 2015 com o álbum ‘Discreet Desires’. Fez um back-to-back com Ben UFO no Sonar Barcelona 2016. Se mantiver o mesmo clima, é paulada na orelha sem dó.

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Awesome Tapes From Africa – Começou como um selo, hoje é também a alcunha do DJ, produtor, colecionador e o escambau Brian Shimkovitz. Como o nome sugere, beats fora do eixo house/techno usual.

Fatima Yamaha – Ouvir ‘What’s a girl to do’ ao vivo é realmente um momento bacana.

Orpheu The Wizard – Idealizador da Red Light Radio, tem uma bagagem musical que impressiona. O set que vi dele lá em Amsterdam, ainda de dia, quase enfiado no meio de uma floresta, foi elegante e cheio de groove. Olho nele.

orpheu

Já estou me alongando demais. Poderia me estender infinitamente e falar do line-up inteiro, uma vez que uma seleção dessas é para entrar para a História dos festivais de música eletrônica já feitos no Brasil.

Vai de cabeça aberta e experimenta o que conseguir, tem muito mais coisa bacana: Solar, Anthony Parasole, Call Super, Sassy J, Joey Anderson…

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COMEÇAM A PIPOCAR ONLINE OS SETS DO DEKMANTEL 2016

Os sets gravados durante a edição 2016 do Dekmantel estão começando a aparecer online. Depois do Makam, estão disponíveis agora alguns sets gravados no Selector’s Stage, esse palco aí da foto abaixo, com todo esse verde maravilhoso em volta.

Rezando pra que subam tb o b2b do Beautiful Swimmers com o Pender Street Steppers e, é claro, o da Lena Willikens, o mais fodão de todo o festival.

selectors_stage

 

CALL SUPER

MIKE SERVITO B2B MAGDA

 

INTERGALACTIC GARY

 

ORPHEU THE WIZARD B2B TAKO

DEKMANTEL 2016 – REVIEW

Abaixo vai publicada uma versão adaptada do review que fiz pro Projeto Pulso.

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O Dekmantel Festival já estava na minha mira há um bom tempo e a ansiedade estava batendo no teto – finalmente fui ao evento de música eletrônica mais elogiado dos últimos anos.

bandeira

A primeira coisa a se destacar é: o clima excelente do evento. É um ‘feel good’ constante, galera feliz que quer se divertir sem confusão e sem estresse.

Segundo ponto: conforto. A infra é excelente, não tem superlotação ou correria para nada. Isso está diretamente ligado ao número reduzido de pessoas, 10 mil por dia apenas. Não tem tumulto para bar nem banheiro, o shuttle funciona (fila de 15 min no horário de pico), tem água de graça.

Ponto 3: O lugar. O festival rola no Amsterdamse Bos, um parque maravilhoso a apenas 20 minutos de ônibus do centro de Amsterdam (também dá pra ir de bike, aliás, metade do público usa esse meio de transporte). É aberto e tem verde que não acaba mais. O bacana da proximidade com o centro da cidade é que dessa forma você tem um evento no ‘meio do mato’, mas sem os perrengues de ter que ficar ‘sujinho’ num camping. =D

Número 4: line-up monstruosamente perfeito e palcos intimistas. Gente nova, DJs clássicos, Berlim, Londres, Chicago, Detroit, Bristol, Jamaica – tava tudo lá. Tirando o Main Stage, que é o maior (mesmo assim não é gigante), os outros três palcos são pequenos e intimistas. Que delícia dançar embaixo das árvores do Selector’s Stage ou dentro da Green House (uma estufa com plantas e paredes de vidro). Sem falar no Boiler Room, que parece uma festa na sala da sua casa. O UFO, dedicado ao techno pesado, dark, lenha, é o palco que destoa: é uma tenda fechada e escura, simulando o ambiente de um clube. Achei um desperdício me entocar ali dentro e perder aquele verde todo lá fora. No total, não fiquei mais de 15 minutos dentro do UFO.

O tempo também ajudou. Foram três dias de sol, o que é raro de se ver em Amsterdam. Não foi naaaada mal circular por aquele parque rodeado de verde por todos os lados debaixo de um céu azul de doer.

Vi muita coisa boa, mas muita mesmo. Foi difícil, mas separei (sem ordem de preferência) 8 atrações que mais me agradaram nos quatro dias do Dekmantel. Partiu todo mundo ano que vem? =D

LENA WILLIKENS – Tava na minha lista de prioridades para ver. Gosto muito do som ‘estranho’ dela e queria ver como levaria isso para a pista. Pois então… a alemã de Colônia conseguiu unir a estranheza sem perder o groove da pista. Foi um set pesado, muito percussivo e com tons vintage. Com uma seleção extremamente particular de faixas, foi possivelmente o set mais ousado e fodão que vi em muito tempo. Fiquei na grade, mandei beijinho, vibrava com cada grave batendo no peito. Desde já rezando para que tenha sido gravado e que seja publicado em breve.

Dekmantel-Lena-Willikens-BART-HEEMSKERK

 

THE BLACK MADONNA – Tocou duas vezes (uma sozinha na Green House e outra num b2b com o Mike Servito no Boiler Room). O set da Green House estava muuuuito cheio e, com o sol a pino, estava muito calor também. Vi menos do que gostaria. No set do BR (também lotado) fiquei mais tempo e o negócio dela é o seguinte: set festeiro, hedonista, divertido. Equilibrou perfeitamente as novidades com os clássicos da Chicago House. Voltei apaixonado.

blackmadonna

 

MOODYMAN – Tocou para uma Green House também muito cheia, todo mundo queria um pedacinho. Circulou por onde é mestre: funk, soul, disco e house. Que bailão! Rolaram umas sambadinhas aqui e ali, mas com a bagagem que esse malandro tem, só faz um set ruim se se esforçar muito.

MOODYMANN_BART_HEEMSKERK

 

VRIL – Foi o único da parte noite do festival que entrou na lista. Um dos principais nomes do Giegling, selo alemão cultuadíssimo, fez um live no Melkweg que faria até o capeta ficar com medo: pesadíssimo, agressivo, para poucos. Não sou muito desse hard techno dos infernos, mas tem alguma coisa na cadência e nos timbres que esse cara tira que me faz ser fã.

KOZE – Dos ‘grandes’ escalados para esta edição, foi o melhor: botou Dixon, Tale of Us e Villalobos no bolso. Fez um set de BPMs baixos e muito climão. Confesso que estranhei logo de cara, achei que fosse flopar. Apesar da reação relativamente fria da pista no início, ele não desistiu… aí de repente a locomotiva começou a andar. Salpicou um hit ou outro ali no meio (o remix dele pro Modeselektor, por exemplo) e terminou ovacionado tocando a linda, mas linda mesmo, versão que ele fez para ‘9 Years’, do Roman Flügel.

koze

 

BEN UFO + JOY ORBISON – Dois expatriados do dubstep enfiando o pé no techno. Ben é dos nomes mais respeitados da nova geração de DJs ingleses. Desceram a mão no grave e utilizaram bastantes vocais, sem cair naquele techno estéril sem variação alguma.

PALMS TRAX – Também tocou duas vezes, uma no Boiler Room, e no domingo no Main Stage. O set do BR foi bom, serviu de aquecimento. No palco principal o bicho pegou e o rapaz fez uma das apresentações com mais groove de todo o festival. House com muito vocal, sem concessões a hits. Daqueles que sai todo mundo com sorriso na cara e alma lavada.

MOTOR CITY DRUM ENSEMBLE – Nunca vi alguém usar tracks obscuras de disco funk nigeriano com acid house nóia e fazer dar certo. Ele encerrou o evento no domingo com ares de herói, adorado, num main stage que gritava, gritava e não queria ir embora. Até 2017!

Dekmantel Festival // Motor City Drum Ensemble

BJÖRK NO FREE JAZZ FESTIVAL DE 96 – SHOW COMPLETO

E eis que uma preciosidade surge no YouTube – o show da Björk no Rio no Free Jazz Festival de 96. O som está muito bom, mas a imagem está longe de uma qualidade boa. Muitas memórias e lembranças boas surgem ao rever o que talvez tenha sido o show mais importante da minha vida, simbolicamente falando.

Björk estava surfando no sucesso de ‘Post’, seu segundo álbum, lançado em 95. Era dos discos que eu mais ouvia naqueles tempos de segundo grau.

Aos 17 anos de idade, eu não tinha dinheiro, nem carro, nem sabia onde ficava o MAM (era a primeira edição do festival no lugar e no formato em que se consagrou). Juntei os caraminguás da merenda escolar de um mês inteiro para conseguir comprar o ingresso para o show, sempre junto com a comparsa Karla Pê, minha companheira de sons e shows alternativos durante a adolescência. Formávamos então uma bela duplinha de freaks. =D

Hoje vejo que ir a essa apresentação foi um ritual de passagem, uma espécie de marco zero: eu estava exatamente onde queria, vendo o que queria, com quem queria. Pela primeira vez completamente independente e dono do meu nariz, marcando meu território.

Era muita novidade boa ao mesmo tempo – esse show marcou a entrada definitiva de um moleque grunge no mundo eletrônico. A apresentação teve a abertura do 808 State, e Björk mandou um hit atrás do outro: ‘Army of me’, ‘Isobel’, ‘Human Behaviour’, ‘It’s oh so quiet’, ‘Venus as a boy’, entre outros. A repercussão foi a melhor possível entre público e imprensa e marcou o início da história de amor da cantora com o país. Ela ainda retornaria ao Brasil muitas outras vezes.