ROBERT HOOD CALADO É UM POETA

Níveis altíssimos de pelassaquice nessa entrevista do Robert Hood para a Thump. Veja como o produtor, um dos fundadores do Underground Resistance, nome fundamental do techno de todos os tempos e, mais recentemente, um pastor ordenado e religioso fervoroso, se acha uma pessoa ungida. Pincei alguns trechos:

Robert-Hood

“Deus literalmente me acordou do meu sono e disse: ‘Quero que você inclua a mensagem gospel na sua música'”

“Basicamente, quero comunicar esse espírito e minha relação com Cristo por meio da minha música. Planejava isso há algum tempo, mas desta vez, Deus deixou claro: quero que você espalhe a mensagem. Comecei a me questionar e a questionar Deus e disse: ‘Bem, como as pessoas vão encarar isso?’, e Deus disse: ‘Não se preocupe com isso’.”

“Eu sou um mensageiro de luz, é isso o que eu sou. E é minha função levar essa luz, carregá-la e espalhá-la pelo mundo. Deus me permitiu ser um reflexo do seu amor e me permitiu refletir a sua luz para o mundo, para que as pessoas recebam a sua mensagem”.

A mais legal vem agora:

“Muitas pessoas não leem a Bíblia, não vão à igreja, então cabe a mim ser uma espécie de Bíblia que elas possam ler, sem que eu precise dizer uma palavra. Elas podem sentir minha presença, ou melhor, a presença de Deus, através de mim, e refletir sobre isso”.

A entrevista foi motivada pela força e beleza de ‘We magnify His name’, a música cheia de coral gospel, piano e good vibes que Hood lançou em 2011 sob a alcunha de Floorplan, e que é realmente espetacular, emocionante, foda-pra-caralho, lágrimas-na-pista.

(O single é um dos melhores exemplos da presença cada vez maior de gospel nos sets recentes de Hood/Floorplan. E todos adoramos a cantoria dos corais de igrejas misturados com o beat da house music, deixo claro).

Porém… Depois de ler tudo isso, duas pensatas: o indivíduo tem que se achar muito especial mesmo (e de fato ser um péla-saco) para afirmar que é um emissário divino e se tornou o contato de Deus com o resto do mundo.

Outra: é muita pretensão alguém religioso e ‘convertido’ achar que o resto do mundo precisa ser ‘salvo’. Quem é que determina quem está ‘salvo’ ou ‘amaldiçoado’? Vem embutida aí uma certeza de superioridade por conta de um suposto contato, visão, epifania com algo etéreo. Enquanto ele acha que teve uma revelação e estufa o peito se vangloriando, tem gente que acha que ele é simplesmente um maluco.

Nota mental: nunca mais ler o que Robert Hood fala, apenas ouvir sua música.

FUI CHEIO DE DESCONFIANÇA OUVIR O NOVO DO NEW ORDER

E não é que ‘Music Complete’ é muito bom? O New Order conseguiu fazer um álbum equilibrado entre a pista e as baladas agridoces que faz tão bem. Alguns momentos memoráveis são ‘Tutti Frutti’, ‘People on the high line’ e ‘Academic’.

Mas é ‘Nothing but a fool’ que desbanca todo mundo: melhor música do disco, Bernard Sumner afiado, melodia linda-pra-cantar-junto, mais de 7 minutos de puro deleite. Cai dentro.

HOT CHIP JOGA LCD NO MEIO DE COVER DE BRUCE SPRINGSTEEN

Parece maluco, mas é isso mesmo: Hot Chip fez uma versão de ‘Dancing in the dark’, do Bruce Springsteen, e vem encerrando os shows da nova turnê com ela.

Hoje saiu o clipe e há uma surpresa: a presença de um trecho enorme de ‘All my friends’, do LCD Soundsystem, no meio disso tudo.

Ficou do caralho.

Só mesmo essa mistureba surreal pra salvar o Hot Chip do desastre do último álbum.

FOUR TET DESORIENTANDO IBIZA

Essa história é muito boa. Um remix do Four Tet para uma farofa do Eric Prydz (o próprio Four Tet que pediu pra remixar a música) tocado no set do Maceo Plex desorientou geral no Amnesia.

Sabe aquela onda meio pela-saco de todo mundo na pista abaixar para levantar de sopetão quando vem o drop? Então….

Só que o breakdown do remix do Four Tet demora muuuuuuuuuito mais que o normal, e aí a galera vai cansando de ficar abaixada e levanta desencontrada, desanimada, sem drop nem nada. HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA


Abaixo vai o tal remix polêmico.