CARL CRAIG E GREEN VELVET JUNTOS: NÃO TEM COMO DAR ERRADO

Pegando todo mundo de surpresa, Carl Craig e Green Velvet lançaram ontem ‘Unity’, álbum que ninguém estava esperando ou sabia da existência. Dá pra comprar no Beatport ou escutar via Soundclound.

Numa primeira ouvida, dá pra perceber claramente o link Detroit-Chicago muito bem feito: a pulsação característica de Craig + os timbres tech-housísticos do Green Velvet.

É um disco econômico: sete músicas sem gordura, com os pontos altos na festeira ‘Rosalie’ e na espetacular ‘Murder of the innocent’.

E isso não é tudo na esfera de Craig. O DJ está circulando pelo mundo com seu projeto Detroit Love e tem papo de um álbum novo esse ano ainda. Que prensentão.

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ÁLBUM NOVO DO HOT CHIP TEM TRÊS MÚSICAS EXCELENTES E SÓ

Então, exatamente como aconteceu em TODOS as vezes anteriores, o Hot Chip lança mais um álbum mediano com três músicas espetaculares, outras tantas boas e o restante esquecível.

As excelentes da vez são: ‘Dark night’, ‘Need you now’ e ‘Why make sense?’

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Com o resto não precisa nem se preocupar.

Tenho uma teoria que explica a razão do Hot Chip não ser uma banda de grandes álbuns – apesar de excelente em singles e remixes.

(Segundo as notícias, ‘Why make sense?’ sai em maio, mas já está no Rdio há pelo menos duas semanas).

RECONDITE – ‘IFFY’

Cheguei tarde nesse disco, mas que beleza é ‘Iffy’, do produtor alemão Recondite. Melhor ainda que o anterior, o ótimo ‘Hinterland’.

‘Iffy’ saiu ano passado pelo Innervisions e a turnê do álbum rendeu ao alemão o título de melhor live de 2014 na eleição do Resident Advisor. Isso não é pouca coisa.

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As músicas do Recondite são ao mesmo tempo gélidas e bonitas. O clipe de ‘Levo’ foi gravado numas montanhas no interior da Alemanha, numa paisagem rural e fria, e serve de metáfora para a importância que o contato com a natureza tem em sua produção.

Minha preferida é ‘Garbo’ (que baixo! Que teclado! Fodona demais), mas são dez faixas muito muito boas – nem todas para pista, mas todas lindas.

O SAMBÃO DO CARIBOU + SHED

E na versão estendida de ‘Our Love’ que acaba de sair, somos presentados com uma leva de remixes excelentes. Já venho tocando há algum tempo o remix do Carl Craig para ‘Your love will set you free’ (curiosidade: foi o próprio Craig que pediu ao Dan Snaith para remixar a música).

Mas esse post é para destacar os remixes do Head High, uma das alcunhas do recluso Shed. São dois remixes para ‘Mars’, um dos destaques de ‘Our Love’. O Venus remix tem muito piano e os vocais sampleados da original. Clima mais ‘leve’, cai bem numa pista de house.

O Core remix traz a potência característica das batidas do Head High casada com a flauta da original. É um batuque nervoso, cheio de grave. A cadência lembra, em alguns momentos, uma bateria de escola de samba e, nesse caso, não ficou nada ruim. Confere aí.

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E UM CABOCLO TEVE CORAGEM DE REMIXAR ‘INSPECTOR NORSE’

Mexer em grandes clássicos ou superhits é sempre um problema. A situação só piora quando o alvo é a excelente, divertida e simpaticíssima ‘Inspector Norse’, do Todd Terje.

Mas nada disso foi suficiente para impedir Justin Van Der Volgen (ex-Out Hud, ex- !!!) de remixar a música.

Ele a esticou em 10 minutos, usou todos os teclados, barulhinhos, blips e blops da original. Tinha tudo para dar errado, mas deu certo. Acho que teremos um renascimento de ‘Inspector Norse’ nas pistas.

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LEVON VINCENT FEZ UM DISCÃO

Levon Vincent parece gostar de andar nas sombras. Dos DJs e produtores mais cultuados do mundo, nunca pareceu se importar com as regras da indústria feita para produzir megastars. Uma das provas aconteceu um dia antes do lançamento oficial de ‘Levon Vincent’, seu primeiro ábum: o próprio músico liberou em sua página o link para download de graça do disco.

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Musicalmente, os lugares dark também são os preferidos de Vincent – seus EPs e singles anteriores mostram isso claramente, como ‘Late night jam’, ‘???’ e ‘Man or mistress’.

E é exatamente por esse caminho que segue o álbum. Levon, além de comprovar que que é excelente em fazer club bangers, usa o formato mais abrangente do álbum para se embrenhar por caminhos menos percussivos e mais, hum, melódicos. Apesar do andamento 4 x 4 em todas as faixas, algumas quase não têm beat, ou têm um beat ‘lá no fundo’. Nessa categoria, o melhor exemplo é ‘Black arm w/ wolf”. E o pior, ‘Phantom power’.

Mas está claro que o americano radicado em Berlim reina mesmo quando solta o pancadão. É onde o disco brilha infinitamente mais. É o caso da trinca final ‘Anti-corporate music’, ‘Small whole-numbered ratios’ e ‘Woman is an angel’: todas muito bem amparadas pelas batidas características do produtor. A primeira é climática. A segunda, cavalaria tensa. A terceira, melódica com cornetas do inferno.

Levon fez um discão.