REMIXES NÃO SALVAM O ÚLTIMO ÁLBUM DE PLASTIKMAN

A volta do Plastikman no ano passado foi precedida de muito zunzunzum. Mas… Passou bem longe de justificar o falatório todo. O álbum ‘EX’ é fraco, não acrescenta nada ao passado brilhante desta alcunha de Richie Hawtin. E o show do Sónar teve empolgação zero, passou batido.

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Talvez seja uma obra que funcione melhor para onde foi concebida originalmente: um museu, mais especificamente o Guggenheim de NY. O álbum é resultado da apresentação única feita lá.

Pois bem. Acaba de sair um EP com remixes de quatro músicas: ‘EXhale’, ‘EXplore’, ‘EXpand’ e ‘EXposed’. E em que roubada os remixers se meteram!

Dixon, Recondite, Tale of Us e Dubfire tiveram que rebolar para tentar tirar alguma coisa daquelas músicas sem vida e sem punch, cheias de bleeps com cara de 1993.

Nenhum deles se deu bem. Dixon não conseguiu transferir o lado emocional (e sempre pretensioso) de suas produções, e a intensidade do Recondite não deu jeito em ‘EXplore’. O mesmo acontece com as outras duas músicas. Pode pular esse sem culpa.

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E ESSE ÁLBUM NOVO MUITO MAIS OU MENOS DA BJÖRK, HEIN?

Björk fez a Beyoncé e lançou ontem ‘Vulnicura’, seu álbum novo, na correria, sem muitos avisos prévios e pegou todo mundo desprevenido. Segundo a própria, é seu disco mais autoral e pessoal, praticamente autobiográfico. Faz uma ponte de extremos com o anterior, ‘Biophilia’, um trabalho sobre ‘o Universo’. Todo esse peito aberto (reparem na capa) é para escancarar as mágoas da separação recente da cantora – ela e o artista plástico Matthew Barney não são mais um casal.

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Fica claro nas nove músicas a obsessão recente da islandesa por violinos. Aprender a tocar o instrumento serviu de válvula de escape e apoio durante o processo de separação. O álbum todo é caprichado nos arranjos de cordas – e as camadas e mais camadas e mais camadas de synths ajudam a incrementar esse ponto. Tudo isso fazendo a cama para a voz, letras e interpretações marcantes já características da cantora.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… ‘Vulnicura’ não decola. Falta um pedaço ali e acho que são as melodias. Björk aqui perdeu a mão para fazer aquelas melodias maravilhosas que sempre foram, junto com as ‘modernices’, o ponto alto de suas obras. Nenhuma música é memorável, tudo passa batido.

Senti muita falta da mão dos produtores Arca e Haxan Cloak, dois nomes da novíssima (novíssima mesmo) geração de produtores de música eletrônica. Os dois são conhecidos por seus trabalhos cheio de batidas quebradas, muito uso de grave e timbres fora do comum, tudo bem torto. Mas nada disso é perceptível no disco – talvez ‘Quicksand’ seja a única que se aproxime disso, mas mesmo assim é insuficiente. Deduzo que Björk, por estar no ramo pelo menos duas décadas a mais que os dois – tenha ‘engolido’ a dupla dentro do estúdio. Uma pena.

‘Vulnicura’ acaba valendo por mostrar uma faceta mais pessoal de uma artista sempre inquieta. E só.

PROSUMER – FABRIC 79

Depois de pular fora de sua residência no PanoramaBar e se entocar em Glasgow, Prosumer fez mais um discaço mixado, dessa vez para a série do Fabric.

É house music de todas as vertentes, com músicas escolhidas com cuidado de quem ama e, principalmente, sabe o que tá fazendo. Achim Brandenburg é considerado um dos produtores que mais bagagem tem quando o assunto é house music: são muitos e muitos anos de pesquisa e sets inesquecíveis.

Não tinha como dar errado

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