UNTOLD: ‘ESTOU AQUI PARA FAZER MÚSICA PELO TEMPO QUE FOR NECESSÁRIO’

Jack Dunning – nome artístico: Untold – é uma das figuras fundamentais da música eletrônica em atividade. DJ excelente, produtor inquieto e um espetacular caça-talentos para seu selo Hemlock (James Blake é descoberta dele), o inglês veio ao Brasil para tocar na festa Wobble, no Rio (rolou na quinta passada), e em SP, dentro da Metanol.

Bati um papo com o moço sobre DJ sets x produção e as consequências de ter um álbum elogiadíssimo pela imprensa especializada, entre outras coisas. Tá tudo aí embaixo.

Você está no Brasil para dois sets na esteira do lançamento do seu primeiro álbum, ‘Black Light Spiral’. Criativamente falando, o disco vai em muitas direções. Queria saber: no meio de todo esse tempo dedicado a produzir, DJ sets ainda te inspiram? De que maneiras?

Sim – Tocar como DJ ainda me inspira e acho divertido. Estou mais tranquilo que nunca com a minha seleçāo atual de músicas, e a sonoridade do álbum me fez abrir mais a cabeça na hora de comprar de discos.

Você muda seus sets dependendo da cidade ou do clube em que vai tocar? Faz alguma pesquisa prévia da cena local ou algo do tipo?

Sempre viajo com muitas músicas e decido o clima do set enquanto estou tocando. Não fiz pesquisa prévia antes de vir pro Brasil, mas estou gostando de aprender sobre sobre o funk carioca!

Voltando a ‘Black Light Spiral’ e todos os elogios da imprensa: como você encara isso? Não está nem aí ou isso joga ainda mais pressão nas suas costas?

Me sinto feliz e cada vez com mais coragem. Sem pressão, estou aqui para fazer e lançar música por quanto tempo for necessário.

O álbum confirma o que os singles e EPs já apontavam no passado: o bass é o seu ponto de partida, mas você se move por estilos muito diferentes, alguns nao exatamente ‘dançáveis’. Você enjoou de música feita estritamente para a pista?

Há uma moda no momento de se fazer simple party tunes que acho que já foi muito bem explorada no passado. Gosto de quebrar as barreiras do que é considerado ‘club music’, e descobrir quais sons conseguem criar uma atmosfera, movimento e energia num club.

Você criou um catálogo excelente capitaneando o Hemlock. Gostaria de saber como você equilibra as funções de DJ, produtor e dono de selo.

Hemlock é um selo pequeno, e à medida que o catálogo cresce, vem junto mais carga administrativa. Consome muito tempo – e reflete no meu processo de composição e performance. Nāo existem dias de folga. Com isso quero dizer que a interação entre as três funções é vital para mim. Não saberia fazer de outra forma.