INVADA RECORDS

Geoff Barrows pode não ser dos mais prolíficos criadores com o Portishead, mas está sempre de antena ligada quando o assunto é a sua gravadora Invada Records.

Ele acaba de colocar para streaming uma compilação com faixas recém-lançadas ou prestes a. Tem ali o projeto novo de Barrows, BEAK>.

Abaixo tem um gostinho e o restante está no site da gravadora.

DROKK – ‘Justice One’

LENHA NA FOGUEIRA – PORTISHEAD NO BRASIL

Com esse papo de Portishead na Argentina e muito possivelmente no Brasil esse ano, ouvi novamente o álbum mais recente deles, ‘Third’. Que discaço! Estranho, amargo, tenso. Foi lançado em 2008 e ainda bate um bolão.

Por conta disso, vou republicar aqui o texto, de maio de 2008, que fiz para a Vogue RG à época do lançamento do álbum:

PORTISHEAD DE VOLTA AO PÓDIO

Banda encerra período de hibernação, lança o aguardado ‘Third’ e retoma seu lugar no time titular da música pop

Deve ter sido bastante difícil estar na pele de Beth Gibbons, Geoff Barrows e Adrian Utley nos últimos 11 anos. O trio, cabeça, alma e tudo mais do Portishead, esteve sob a mais absoluta pressão de fãs e mercado para colocar na rua o terceiro disco da banda. Quase uma nova vinda de Cristo.

Corta para 1994. Egressos da plural e efervescente cena de Bristol, cidade portuária da Inglaterra, o grupo foi um dos pilares, ao lado do Massive Attack, do que se convencionou chamar de trip hop: vertente da música eletrônica com os dois pés na black music – soul e hip hop, principalmente -, de batidas lentas, calminha, chique e sofisticada. Enquanto os conterrâneos se contentavam em criar em cima do groove dos negões americanos, o Portishead resolveu se diferenciar jogando umas pitadas de trilhas de filmes e muita, mas muita melancolia.

O primeiro disco, ‘Dummy’ (94), chegou arrombando a festa. Amparados por voz e interpretação magistrais da vocalista Beth Gibbons, as batidas secas, a guitarra certeira e o clima sombrio caíram no gosto do público e obtiveram 100% de aclamação na imprensa: o álbum garfou o prestigioso Mercury Prize, prêmio dado ao melhor lançamento do ano na Ilha da Rainha. Para contextualizar, digamos que o Mercury seja o equivalente britânico ao Grammy, só que relevante.

Portishead – Magic Doors

O segundo CD – ‘Portishead’ (97) – foi o último com músicas inéditas do grupo. No ano seguinte, o ao vivo ‘Roseland NYC’, gravado em Nova York com a companhia luxuosa de uma orquestra clássica, jogou o índice cool da banda lá no teto. E então a fonte secou.

Um bloqueio criativo atacou o trio, que foi esmaecendo, sumindo do mapa do showbiz. Com o disco solo de Gibbons, ‘Out of season’ (2002), muitos deram como certo o fim prematuro da banda. Porém, aparições esparsas em algumas coletâneas, como a ‘Monsieur Gainsbourg revisited’ (2006), voltaram a aguçar os fãs e o mercado. E eis que desde então um retorno gradual começou a ser ensaiado, até culminar, finalmente, no lançamento de ‘Third’, o aguardadíssimo terceiro filho.

O próprio Barrows tenta explicar o parto: “Depois do segundo disco, todas as portas (criativas) estavam fechadas. E essa quase foi a razão pela qual paramos. Queríamos muito soar como nós mesmos, mas sem soar como nós. Sempre soube que seria difícil”.

Portishead – Machine Gun

É muito perigoso virar um outsider por mais de dez anos. Corre-se o risco de perder o bonde e, na volta, ficar anacrônico e com cara de coleção passada. Porém, no melhor estilo Portishead de surpreender, a volta dos ingleses não é nada do que se esperava. Espertamente, optaram por não patinar na mesmice e soltaram um disco que desorientou meio mundo.

‘Third’ é muito, muito estranho. Onze faixas rascantes, que descem mal nas primeiras vezes. É só depois da terceira tacada mais ou menos que as coisas começam a entrar nos eixos. Sumiram as referências black, os scratches e as levadas levemente ‘grooveadas’ presentes em algumas músicas do passado. Para o novo trabalho ficaram a amargura da voz de Gibbons e o instrumental torto. De uma certa forma, tem a ver com ‘White Chalk’, o novo da PJ Harvey, no jeito fantasmagórico de ser. E pela ousadia e tudo isso junto, o trio acertou mais uma vez e volta com glórias ao primeiro time da música pop.