NINA SIMONE – WILD IS THE WIND

Das infinitas versões para ‘Strange Fruit’, a de Billie Holiday é sem dúvida a mais festejada. Mas é a interpretação de Nina Simone que dá à música o impacto e o feeling de que ela necessita.

Nina empresta sua voz grandiosa para uma música forte e canta uma letra tão dura que chega a ser cruel, vai te tirando a respiração aos poucos. Não é qualquer um que consegue juntar tanta beleza e tristeza de forma tão tocante.

‘Wild is the Wind’ é outra música que tem na interpretação  de Nina Simone sua versão definitiva. Bowie já tentou, Bat for Lashes e Johnny Mathis também. Mas é Mrs. Simone que canta de maneira impecável, lenta, vagarosa, apunhalando o coração aos poucos. Coisa linda.

LCD SOUNDSYSTEM: É AMANHÃ!

Com esse frenesi todo com o fim do LCD Soundsystem, o show de amanhã aqui no Rio vira obrigatório: vamos ver chegar ao fim com dignidade (episódio raro) a banda (possivelmente) mais relevante da década passada.

Escrevi sobre o último álbum do grupo de James Murphy para a Billboard à época do lançamento, ano passado. Vou reproduzir aqui o texto na íntegra. ‘This is Happening’ foi um dos 2 melhores discos de 2010, mais um motivo que faz desse show um evento imperdível.

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BILLBOARD – MAIO 2010

LCD SOUNDSYSTEM – THIS IS HAPPENING

Deve ser bastante perigoso estar na pele de James Murphy, a figura mais hypada desta primeira metade do ano. Para um músico e dono de gravadora, ser elogiado sem muito critério por tudo que se faz pode ser o caminho inevitável para a estagnação.

Mas Murphy se move na direção certa sempre e foi assim que conquistou o posto de personagem mais importante da música pop desta década – cria do Brooklyn, injetou disco no punk, fez o rock ser divertido novamente e trouxe à tona muita gente bacana via DFA Records.

Com todas essas credenciais, era natural que ‘This is Happening’ fizesse o barulho que fez mesmo antes do lançamento. Disse o músico no fim do ano passado: ‘Se desse tempo de sair (em 2009), esse seria o melhor disco da década’.

‘Happening’ é mais uma mostra da criatividade da banda e também o desfecho perfeito para o ciclo começado com ‘LCD Soundsystem’, lançado lá em 2005 – ‘Sound of Silver’, de 2007, é o recheio.

As músicas aqui são longas, sem concessões, e fazem uma mistura azeitada de guitarra e sintetizador. ‘Dance Yrself Clean’ é uma porrada tão bem dada, mas tão bem dada que a coloca de longe como a melhor do CD – e na briga pela medalha de melhor da banda ao lado de ‘All my friends’.

Existem, porém, duas pisadas de bola feias: ‘Drunk Girls’ e ‘Somebody’s Calling Me’. A primeira é uma bobagem adolescente que, cantada por um marmanjo de 40 anos, só piora. A segunda é arrastada, apagada.

Diz Murphy que este vai ser o último álbum do grupo. Se essa história se confirmar, tudo bem, tudo bem, foi bom enquanto durou. Mas, James, não demore muito a se mexer novamente, ok?