VOGUE RG – MAIO

Abaixo vai na íntegra uma  matéria minha que saiu na Vogue RG de maio, que está nas bancas.

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VOVÔS SUPERCOOL

Leonard Cohen e Van Morrison retornam à superfície com DVDs ao vivo

 

O mundo viu ressurgir das cinzas do pop duas das figuras mais emblemáticas, misteriosas e competentes de sua curta existência: Leonard Cohen e Van Morrison. Naturalmente avessos a entrevistas, badalações e turnês longuíssimas, os dois fizeram a felicidade alheia com dois registros ao vivo lançados neste início de ano.
Cohen, 78 anos, ensaiou uma volta à superfície do showbiz em meados de 2006 com o lançamento do DVD ‘I’m your man’. Dirigido por Lian Lunson, o disco traz uma entrevista raríssima com Mr. Leonard pontuada por performances de nomes contemporâneos: Antony (sem os Johnsons), Rufus Wainwright e outros fizeram versões das músicas do véio Cohen, num show-tributo.
A volta de vez aconteceu mesmo em Glastonbury, em 2008, quando ele e sua banda subiram ao palco do maior e mais importante festival britânico tendo à frente 50 mil cantando os seus sucessos. O retorno do bardo aos palcos se deu por uma questão financeira: enquanto fazia um retiro budista (apesar de judeu), Cohen levou um cano de sua empresária e viu grande parte de sua grana sumir de sua conta. Precisava refazer o caixa.
Depois de Glasto, seguiram-se outras aparições de muito impacto em outros festivais, como o de Benicàssim, no ensolarado sul da Espanha. E agora o momento confissão: foi em Beni que vi o distinto senhor ao vivo e posso confirmar que é das coisas mais emocionantes. Não foram poucos os marmanjos que vi chorando no refrão de ‘Hallellujah’.
Depois de uma volta aos EUA após mais de 15 anos sem shows por lá e uma turnê pela Inglaterra, sai o DVD ‘Live in London’. Duplo, o registro consegue capturar o clima e transportar para o show os que não conseguiram vê-lo. Cohen entretém com sua voz de barítono e continua incrivelmente hábil na sua característica de cantar para multidões como se estivesse sussurrando no ouvido de cada uma das pessoas. Tudo embalado com muita, mas muita elegância: terno, colete e porte de lord. São irresistíveis os agradecimentos do cantor com o chapéu na altura do peito e o corpo se encurvando levemente para frente.
Mais arredio que Cohen (‘A única coisa que amo é a música, o resto é uma merda completa’, disse ele ao Village Voice), Van Morrison, 64 anos, surpreendeu meio mundo quando anunciou seu retorno. Com estilo e sofisticação que só os veteranos têm, o irlandês megacatólico voltou com o registro ao vivo de seu álbum mais importante: ‘Astral Weeks’. Lançado originalmente em 68, é considerado uma das obras mais influentes da música desde sempre – é clássica a resenha do gonzo Lester Bangs sobre este álbum. 
Os shows que serviram de base para este registro já histórico foram gravados em Los Angeles. Bem mais gordinho, com menos estilo que o colega Leonard e sempre de óculos escuros, Morrison mostrou a um Hollywood Bowl lotado que sua voz continua impecável, meio negróide, meio melancólica. Assim como no disco original, o grande momento deste ao vivo é a versão de ‘The Way Young Lovers Do’. Coisa mais linda.

O mundo viu ressurgir das cinzas do pop duas das figuras mais emblemáticas, misteriosas e competentes de sua curta existência: Leonard Cohen e Van Morrison. Naturalmente avessos a entrevistas, badalações e turnês longuíssimas, os dois fizeram a felicidade alheia com dois registros ao vivo lançados neste início de ano.

 

Cohen, 78 anos, ensaiou uma volta à superfície do showbiz em meados de 2006 com o lançamento do DVD ‘I’m your man’. Dirigido por Lian Lunson, o disco traz uma entrevista raríssima com Mr. Leonard pontuada por performances de nomes contemporâneos: Antony (sem os Johnsons), Rufus Wainwright e outros fizeram versões das músicas do véio Cohen, num show-tributo.

 

A volta de vez aconteceu mesmo em Glastonbury, em 2008, quando ele e sua banda subiram ao palco do maior e mais importante festival britânico tendo à frente 50 mil cantando os seus sucessos. O retorno do bardo aos palcos se deu por uma questão financeira: enquanto fazia um retiro budista (apesar de judeu), Cohen levou um cano de sua empresária e viu grande parte de sua grana sumir de sua conta. Precisava refazer o caixa.

 

Depois de Glasto, seguiram-se outras aparições de muito impacto em outros festivais, como o de Benicàssim, no ensolarado sul da Espanha. E agora o momento confissão: foi em Beni que vi o distinto senhor ao vivo e posso confirmar que é das coisas mais emocionantes. Não foram poucos os marmanjos que vi chorando no refrão de ‘Hallellujah’.

 

leonard_cohen-live_in_london

 

Depois de uma volta aos EUA após mais de 15 anos sem shows por lá e uma turnê pela Inglaterra, sai o DVD ‘Live in London’. Duplo, o registro consegue capturar o clima e transportar para o show os que não conseguiram vê-lo. Cohen entretém com sua voz de barítono e continua incrivelmente hábil na sua característica de cantar para multidões como se estivesse sussurrando no ouvido de cada uma das pessoas. Tudo embalado com muita, mas muita elegância: terno, colete e porte de lord. São irresistíveis os agradecimentos do cantor com o chapéu na altura do peito e o corpo se encurvando levemente para frente.

 

Mais arredio que Cohen (‘A única coisa que amo é a música, o resto é uma merda completa’, disse ele ao Village Voice), Van Morrison, 64 anos, surpreendeu meio mundo quando anunciou seu retorno. Com estilo e sofisticação que só os veteranos têm, o irlandês megacatólico voltou com o registro ao vivo de seu álbum mais importante: ‘Astral Weeks’. Lançado originalmente em 68, é considerado uma das obras mais influentes da música desde sempre – é clássica a resenha do gonzo Lester Bangs sobre este álbum. 

 

Os shows que serviram de base para este registro já histórico foram gravados em Los Angeles. Bem mais gordinho, com menos estilo que o colega Leonard e sempre de óculos escuros, Morrison mostrou a um Hollywood Bowl lotado que sua voz continua impecável, meio negróide, meio melancólica. Assim como no disco original, o grande momento deste ao vivo é a versão de ‘The Way Young Lovers Do’. Coisa mais linda.

 

astralweekslivehwb

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UM DISCO DE DUB DO FRANZ FERDINAND?

franz_dub_Desse disco fraco fraco? É isso mesmo. O produtor da criança, Dan Carey, fez versões cheias de eco eco eco eco das músicas do CD mais recente dos escoceses.

Tudo inspirado pelo dub master Mad Professor (de quem Carey é pupilo) e o que ele fez com o ‘Protection’, do Massive Attack.

Para a versão dub, o disco do FF foi rebatizado de ‘Blood: Franz Ferdinand’ e ganhou uma reprodução esmaecida da capa original. Acho que não vai dar certo, mas estou bem curioso pra ver que bicho deu.

E BILLY CORGAN PERDE O NAMORADO

O rei abóbora está nu.

Billy Corgan acaba de perder o último pumpkin original que restava em sua banda. Jimmy Chamberlain, o baterista-problema que sempre esteve ao lado do reizinho Corgan acaba de deixar essa encarnação mico do Smashing Pumpkins e vai tocar seu projetinho, o Jimmy Chamberlain Project.

O próprio Jimmy fala sobre a saída em seu site.

jimmy_chamberlain_

AGUÇOU?

O que mais atiça a minha curiosidade na música hoje é isso aqui:

a_critical_mass2Estou falando do A Critical Mass, que nada mais é do que o projeto ao vivo da galera do Innervisions, possivelmente o selo mais cool de house que existe.

São os quatro dons do selo no palco, juntos: Dixon, os dois do Âme e Henrik Schwarz. E, como todo mundo que sai à noite em Berlim, usam cachecol.

Andaram tocando em alguns poucos e selecionados eventos ano passado. E estreiam esse ano em solo americano no Movement.

Me remete ao Narod Niki, projeto ao vivo de Ricardo Villalobos, que vi no Sonar.

Tem um aperitivo da trupe no Amsterdam Dance Event do ano passado.

RICK RUBIN SE MEXE

 

E mete o dedo (opa!) na gorda do Gossip. Rick Rubin é produtor e gênio. Diz a sanidade musical que onde o cara vai, é bom ir atrás.

(Tá assim na Prefix Magazine: … Rick Rubin, who wears gloves when he’s eating in order to prevent his food’s turning to Grammys).

(A mais pura verdade)

‘Heavy Cross’ é foda e já aguça a curiosidade pro resto do disco novo. Ouvi umas cinco vezes seguidas, e olha que não sou do tipo obsessivo do repeat. Acho que tô ficando apaixonado pela Beth Ditto.

‘Music for men’, mais adequado impossível, sai em junho. Mas já já num torrent perto de você.