MESTRE COHEN

O poeta Leonard Cohen é dos grandes mestres do rock e do que é chamado hoje ‘singer-songwriter’: cantor solitário, climas meio folk com músicas tocantes. Sem ele dificilmente teríamos hoje artistas como Rufus Wainwright ou Damien Rice, por exemplo.

Pois então, depois de um longo período longe do mundo pop – por conta de um retiro budista na Ásia – e de um golpe do seu ex-agente durante esse período – quase foi à falência -, o véio Cohen ressuscitou em 2008 e foi um das grandes acontecimentos do ano.

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E é justamente isso que a revista inglesa Mojo desse mês está celebrando. Sem um disco de inéditas, a matéria é calcada na história de vida do velhinho elegante que só e da turnê disputadíssima de Leonard pelos principais festivais do mundo este ano. (Momento confissão: este blog viu o show de Cohen no Festival Internacional de Benicàssim e há tempos não se emocionava tanto).

Além da publicação de um guia para quem quiser se aventurar pela discografia do canadense, a revista ainda dá de presente um CD encartado com algumas das principais músicas de Cohen gravadas por nomes atuais. Corra já na sua banca de jornais!

BLOC PARTY ESTABELECE ROMANCE COM PLATÉIA CARIOCA

O show do Bloc Party no Rio caminhava para um desfecho como o do paulistano: legal, mas meio morno, com um ou outro momento de muita empolgação.

Porém, o que se viu do meio pro fim foi um caso de amor do vocalista Kele Okereke com a platéia do Circo Voador. Como que precedendo o fim, a galera começou uma gritaria, um pula-pula que fazia o vocalista abrir sorrisos e mais sorrisos.

Provoca daqui, atiça dali, a banda voltou para dois bis, pessoas subiram no palco, o integrantes ganharam presentes e abraçaram os fãs. No ápice do romance, Kele tirou os fones do retorno, arrumou um microfone com fio MUITO grande e, sim!, pulou na galera para fazer crowd surfing. Aliás, fez dois crowd surfing, para desespero da segurança e dos roadies, que tinham que ficar ‘dando linha’ no microfone enquanto o cantor surfava nas mãos da galera. Mesmo sendo jogado de uma lado para o outro, Kele segurou firme ‘She’s hearing voices’ pelas rédeas.

O show teve cerca de uma hora e quarenta minutos e todos os hits da banda estavam no setlist. Os momentos de maior empolgação foram em ‘Banquet’, claro, e, para minha surpresa, ‘Like eating glass’, que nunca foi hit do grupo, mas foi cantada como se fosse.  Mais um show memorável no Circo Voador.

Bloc Party – ‘Like eating glass’ (10/11/2008 – Circo Voador – RJ)

BIG BASS STYLE

O misterioso e festejado Shackleton desnorteou meio mundo essa semana ao encerrar as atividades de seu – igualmente festejado – selo Skull Disco, um pilar de sustentação e inovação do dubstep. Nem fãs, nem pessoas ligadas à cena dubstep e nem a imprensa entenderam nada.

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Shackleton é das pessoas mais instigantes e interessantes da cena pop atual. É o mais sinistro dessa galera dubstep junto com o Burial. Só que mais sombrio ainda, com menos melodia e mais percussivo. Ele tem duas coletâneas na manga (para escoar as produções da Skull Disco) e também cultua a aura de mistério – não tanto como o Burial.

O que vale mesmo é perceber no inglês uma inquietação constante, um desapego saudável a regras e nenhuma etiqueta com dogmas de nenhum estilo em particular. O lance dele é experimentar sons e sensibilidades. Tudo muito bem amparado por muito, muito grave.

O grande “hit” de sua carreira é ‘Blood on my hands’, com vocal de monstro e letra apocalíptica. Ricardo Villalobos remixou ano passado, e foi aí que o malandro apareceu. Aliás, um vem remixando música do outro, fazendo uma ponte impensável do dubstep com o techno. Aplausos. E o som é aquilo, devagarzão, batida esparsa e um bass que pelo amor de deus.

ESTRÉIA

O bom jornalão inglês Guardian vai distribuir seu primeiro music award. A categoria única dessa chegada no mundo das premiações é de Melhor Estréia em Disco de 2008. Claro que só entram bandas britânicas.

Para evitar fraudes de fãs psicopatas, os votos serão divididos em importância: 50% de peso para os leitores, e os outros 50% para os críticos do jornal. Pretty fair.

Entre os candidatos estão a nata das bandas indies hypadas tão ao gosto da imprensa inglesa. Vai lá deixar seu voto.

Get Physical chega ao 100º lançamento

Depois de muitas pedradas de sucesso e  mais de cinco anos na estrada, o selo Get Physical chega ao seu lançamento de número 100.

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Sediada em Berlim e de proprieda dos amigos Booka Shade, M.A.N.D.Y. e DJ T, a gravadora vai comemorar a ocasião com o que está chamando de battle tracks: vai juntar os grandes nomes do catálogo em músicas feitas em parceria, nos mesmos moldes de ‘Body Language’, de MANDY vs Booka Shade, single de sucesso absoluto que colocou a trupe berlinense no mapa.

Aí vai o tracklist:

A M.A.N.D.Y vs Booka Shade – Donut
B1 Italoboyz vs Nôze – Double Trouble
B2 Dakar vs Siopis – Dubai
C DJ T. vs Thomas Schumacher – May Contain Nuts
D1 LOPAZZ vs Heidi – Funkshovel
D2 Einzelkind vs Meat – Gin

Somente lançamento digital:
Patrice Bäumel vs Caitlin Devlin – 7 days
Djuma Soundsystem vs Raz Ohara – Zillion Lights
Tiger Stripes vs Audiofly – Hundra