O misterioso e festejado Shackleton desnorteou meio mundo essa semana ao encerrar as atividades de seu – igualmente festejado – selo Skull Disco, um pilar de sustentação e inovação do dubstep. Nem fãs, nem pessoas ligadas à cena dubstep e nem a imprensa entenderam nada.

Shackleton é das pessoas mais instigantes e interessantes da cena pop atual. É o mais sinistro dessa galera dubstep junto com o Burial. Só que mais sombrio ainda, com menos melodia e mais percussivo. Ele tem duas coletâneas na manga (para escoar as produções da Skull Disco) e também cultua a aura de mistério – não tanto como o Burial.
O que vale mesmo é perceber no inglês uma inquietação constante, um desapego saudável a regras e nenhuma etiqueta com dogmas de nenhum estilo em particular. O lance dele é experimentar sons e sensibilidades. Tudo muito bem amparado por muito, muito grave.
O grande “hit” de sua carreira é ‘Blood on my hands’, com vocal de monstro e letra apocalíptica. Ricardo Villalobos remixou ano passado, e foi aí que o malandro apareceu. Aliás, um vem remixando música do outro, fazendo uma ponte impensável do dubstep com o techno. Aplausos. E o som é aquilo, devagarzão, batida esparsa e um bass que pelo amor de deus.