Tiga foi o único que conseguiu sobreviver com dignidade. Conseguiu se adaptar sem perder a personalidade nem a credibilidade. O canadense vem encaixando um remix bom atrás do outro.
E o que ele fez com ‘Shelter’, do XX, prova que o moço ainda é relevante.
Disse ele num comunicado do selo sobre o remix: “There’s just something special about making out in London, your mouth bursting with toffee and emotion, that ugly ferris wheel thing looming in the distance…This remix is a love letter to British Romance, from the heart of a Canadian Revolutionary.” Então tá.
E a eleição feita pelo Pitchfork arrebentou ao colocar em primeiro lugar o ESPETACULAR clipe de ‘Come to Daddy’, do Aphex Twin. É a combinação perfeita de duas mentes doentias – a do próprio Aphex (Richard D. James na carteira de identidade) e a do videomaker Chris Cunningham.
A música é claustrofóbica e agressiva e o clipe dá outra dimensão àquela voz metálica-digitalizada gritando ‘I want your soul!’. Difícil é esquecer as criancinhas from hell, todas com o rosto do Aphex Twin, correndo desesperadas, tocando o terror nuns becos abandonados. Sem falar na hora em que o monstro sai da televisão.
Se já fizeram um clipe mais perturbador não tive notícia.
Por serem raríssimos os casos em que uma versão fica melhor que a gravação original, diz o bom senso que é mehor evitar mexer na música dos outros, principalmente se esse outro for o Pink Floyd e o disco em questão, o ‘Dark Side’.
Esse é o álbum que mostra o PF em seu ápice criativo, levando às últimas consequências as experimentações sonoras. Dos mais vendidos de todos os tempos, fez crescer enormemente a base (fervorosa) de fãs da banda.
Mas se for para mexer com o Floyd, que seja o Flaming Lips mesmo, o dono da psicodelia cool dos anos 90 e pai de toda a geração lisérgica dos 00. O que começou como brincadeira nos shows acabou virando um CD com convidados como Henry Rollins e Peaches.
Os clássicos ganham outra perspectiva com a voz de Wayne Coyne, e os arranjos sofrem modificações: um sintetizador aqui, um timbre estranho acolá. Funciona? Sim, como curiosidade. Vai agradar aos fãs do Pink Floyd? Sem chance.
Um podcast muito útil – conta a história do surgimento e evolução do dubstep, esse gênero da dance music carregada nos baixos, de batidas lentas e clima sombrio. São 25 faixas em ordem cronológica, cortesia da Drowned In Sound para a série ‘Curation Mix’ do MixCloud. Clica na foto.
Abaixo vão três músicas estranhas em algum elemento, de alguma maneira fora do padrão, porém espetaculares. Todas bonitas, emocionantes, que te deixam meio bolado quando acabam.
Confesso que essa onda de mashups meio bunda-mole, tem muito mais coisa ruim do que boa de fato.
Em compensação, existem umas sacadas de gênio. Como esse aí embaixo, que juntou perfeitamente ‘Closer’, do Nine Inch Nails, com ‘Come together’, dos Beatles.